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Do sintoma ignorado à UTI: o caso Kaliny e o alerta que ecoa além de Canoinhas

📌 Resumo do caso

Uma adolescente de 12 anos evoluiu para apendicite perfurada e sepse após múltiplos atendimentos por dor abdominal persistente em Canoinhas.

O caso ganhou repercussão regional e levantou questionamentos sobre reconhecimento precoce de sinais de alarme, reavaliação clínica estruturada e protocolos para dor abdominal pediátrica.

Após período crítico em UTI, a paciente recebeu alta hospitalar e segue em acompanhamento.


🧾 Linha do tempo assistencial

  • Início dos sintomas: dor abdominal intensa, vômitos e diarreia.
  • Atendimento inicial na UPA de Canoinhas.
  • Encaminhamento e internação no Hospital Santa Cruz de Canoinhas por três dias.
  • Alta hospitalar sem diagnóstico conclusivo.
  • Retornos subsequentes por piora clínica.
  • Em um atendimento, dor atribuída a “gases”, segundo relato familiar.
  • Nova avaliação revela quadro grave.
  • Diagnóstico intraoperatório: apêndice rompido com infecção disseminada.
  • Transferência para UTI do Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria, em Joinville.
  • Necessidade de intubação e suporte intensivo.

📰 O que foi divulgado pela mídia

O caso foi amplamente noticiado por portais regionais:

Vídeos nas redes sociais ampliaram o debate público.


⚖️ Versões apresentadas

Família:
Relata demora no reconhecimento da gravidade, múltiplos retornos e subvalorização dos sintomas.

Gestão da UPA (Instituto Ideas):
Afirma que os atendimentos seguiram protocolos clínicos vigentes, com exames e encaminhamentos conforme evolução do quadro.

Até o momento, não há divulgação pública de conclusão oficial de sindicância ou decisão de órgão fiscalizador.


🩺 O que a literatura científica aponta

A apendicite é a principal causa de abdome cirúrgico na infância.

Evidências mostram que:

  • O risco de perfuração aumenta significativamente após 48–72 horas de evolução.
  • Crianças têm maior taxa de ruptura que adultos.
  • Perfuração pode evoluir para peritonite e sepse.
  • A sepse pediátrica está associada a maior tempo de internação e risco de complicações.

O diagnóstico pode ser desafiador porque:

  • A dor pode iniciar difusa.
  • Pode simular gastroenterite.
  • Crianças nem sempre conseguem localizar a dor com precisão.

Porém, há um ponto crítico em gestão de risco:
retorno repetido por piora progressiva deve acender alerta clínico imediato.


🚨 Pontos críticos de segurança do paciente

Este caso levanta reflexões estruturais importantes:

1️⃣ Retornos sucessivos em curto intervalo

São considerados bandeira vermelha em análise de risco assistencial.

2️⃣ Orientações claras de alta

A família recebeu instruções documentadas sobre sinais de alarme?

3️⃣ Reavaliação estruturada

Existe protocolo específico para dor abdominal pediátrica persistente?

4️⃣ Cultura de segurança

Há ambiente institucional que estimule revisão diagnóstica diante de piora clínica?

Na maioria dos eventos adversos, o problema não está em um único erro isolado, mas na soma de pequenas falhas não interceptadas.


📊 O risco sistêmico por trás do caso

Casos de apendicite perfurada após múltiplos atendimentos costumam estar associados a:

  • Subestimação inicial do quadro.
  • Comunicação inadequada sobre retorno precoce.
  • Ausência de protocolo padronizado para reavaliação.
  • Sobrecarga assistencial que reduz tempo de observação.

Independentemente de eventual responsabilização jurídica, o caso evidencia a importância da vigilância clínica contínua.


📌 Situação atual

Segundo atualização da imprensa, a paciente recebeu alta hospitalar após período crítico em UTI e segue em recuperação, com acompanhamento para possíveis sequelas.

A família organizou campanha solidária para auxiliar no custeio do tratamento complementar.


💬 Reflexão do Guardião

Segurança do paciente começa antes da cirurgia.
Começa na escuta atenta.
Começa no retorno que não é ignorado.
Começa na dúvida clínica que decide investigar novamente.

Dor persistente em criança nunca deve ser tratada como detalhe.

Porque, às vezes, o que parece simples pode ser o início de uma corrida contra o tempo.

No Guardião do Paciente, seguimos atentos.
Cada caso não é apenas notícia.
É alerta.